Você já parou para pensar de onde surgiu a necessidade de usarmos roupas? Há milênios de anos, nós a usamos e quando estamos sem elas, nos sentimos envergonhados. Esta vergonha vem por estarmos expostos mais do que deveríamos, ao contrário dos animais que não sentem vergonha nem preocupação em se expôr.

Assista  o  vídeo interativo abaixo para entender melhor:

O que acontece é que na era pré-histórica, a população (os chamados nômades) vivia em busca de alimento e terras, por isso sentiam a necessidade de cobrir seus corpos, devido à exposição nos dias mais frios. Nesta época, as roupas eram compostas por peles e carcaças de animais que se degradavam rapidamente. Pesquisadores apontam outro motivo que está ligado à cultura de usar roupas: a descoberta do sexo. Ao andar ereto, o homem passou a deixar a mostra sua genitália, e é exatamente por isso que as roupas passaram a indicar o início da consciência moral de nossa sexualidade.

Usar roupas mudou a forma como somos constituídos. Segundo alguns especialistas, o uso dessas peças interferiu diretamente na quantidade de filamento que nós humanos possuímos. Logo, o uso constante fez com que os pelos da população da época caíssem.

Mas além da necessidade de cobrir os nossos corpos, o uso de vestuário tornou-se um parâmetro de diferenciação social. As imagens mais antigas de homens usando algum tipo de traje, demonstravam que servia de identificação entre o mais fortes dos caçadores. Conforme o aumento da população, a civilização e a diferenciação de classes sociais foram criadas vestimentas diversificadas.

Roupas da pré-história

Vestimentas identificavam os mais fortes dos caçadores | Foto: Pinterest

POR QUE TEMOS MEDO OU VERGONHA DE ESTARMOS PELADOS?

As roupas, acompanhadas da moda, têm o poder de construir nossas próprias identidades e uma boa primeira impressão, mas hoje precisamos compreender essas peças sob outra perspectiva: pela modéstia. A questão é interessante porque todos os animais andam pelados o tempo todo, inclusive os chimpanzés, e quem inventou de vestir animais somos nós. Mas afinal de contas, por que os animais não têm vergonha de estarem pelados? Bem, vamos analisar melhor a vergonha.

A vergonha é uma emoção social extremamente fascinante. As pessoas não se sentem envergonhadas sozinhas, quando ninguém está olhando ou te ouvindo. Então pela teoria da evolução e seleção natural, a vergonha provavelmente evoluiu por ser um bom indicativo de cooperação social. Nos sentimos envergonhados quando violamos pequenas regras sociais de conduta e todos nós tentamos evitar isso, tendo em vista que nos ajuda viver melhor em grupo.

Um experimento famosos envolveu participantes assistindo um ator recebendo elogios por ter recebido uma nota muito alta em uma prova e fizeram um teste a/b para perceber a diferença de percepção do público de acordo com a postura do artista. Em metade dos casos, o ator fingiu orgulho pelos elogios e, em outra metade, mostrou-se envergonhado pelos elogios e atenção recebida. Logo após, os intérpretes e participantes iniciaram atividades sociais em comum e os participantes se mostraram mais sociáveis, amigáveis e cooperativos com atores que anteriormente demonstraram vergonha. Pensamos que, neste caso, os atores merecem confiança e podem ser confiáveis.

É interessante analisar como o sentimento de vergonha demonstra como criamos pré-concepção de outros e nosso desejo de ser aceito pelo grupo. Isso ajuda a explicar porque é tão comum pessoas que se gostam constantemente tentam causar momentos de vergonha alheia para amigos ou crushes, seja como brincadeira ou flerte. Vergonha é algo muito intenso, e quando se trata de nossas partes íntimas, se torna tabu praticamente que universal.

Um dos primeiros autores a se debruçar sobre o tema na ciência contemporânea foi o médico e psicólogo britânico Havelock Ellis ainda no fim do século XIX, e ele apresenta duas razões possíveis para nosso medo de estar pelado both of which predate clothing and are not unique to humans.

Havelock Ellis estudou possíveis razões para nosso medo de estar nus

Havelock Ellis estudou possíveis razões para nosso medo de estar nus | Foto: Wikipedia

A primeira razão é o fenômeno universal da recusa. Antes de se encontrar, é comum para os animais jogarem jogo de busca, perseguição e convencimento pela aceitação e desejo do parceiro. Para os seres humanos isso faz sentido quando pensamos em roupas, que paradoxalmente é um meio de atrair a atenção de outros para seu corpo e identidade, ao mesmo tempo em que se cobre o seu corpo, nos tornando menos disponíveis para todo e qualquer potencial parceiro.

Ellis também menciona o medo de trazer desgosto e nojo. É fácil de entender como a seleção natural favorece seres que evitam coisas que são consideradas nojentas, já que estes tendem a viver em melhores condições. Restos fecais, lixos de todo tipo e secreções corpóreas podem disseminar doenças. Um exemplo do mundo animal é que animais que possuem maior chance de conter parasitas perigosos em suas fezes costumam evitar ficar por perto de seu excremento, mais do que aqueles sem problemas com parasitas.

OS ANIMAIS E OS HUMANOS

Em 2009, a BBC investigou a fundo outro fator bastante importante: a educação das crianças. Na maior parte das espécies de animais, após o nascimento dos bebês, eles já estão prontos para vida. Neste caso, faz mais sentido biológico para os animais gastarem maior tempo reproduzindo, criando novas espécies com potencial de viver e procriar, do que investir muito tempo em sua educação. Animais super precoces como o megapode, uma espécie de galinha d’angola da Austrália, nascem com as asas cheias de penas e conseguem voar, por conta própria, poucas horas depois de saírem dos ovos.

Bebês humanos são outra história. Somos completamente altriciais, ou seja, incapazes de nos mover e de sermos independentes por muito tempo após o nascimento. Enquanto um cachorro que vive 15 anos já se assemelha bastante à sua forma adulta com 1 ano (depois de 8% de seu tempo de nascido), um ser humano, que vive cerca de 80 anos, só vai se tornar parecido com sua versão final por volta de seus 20 anos. Em termos proporcionais, demoramos três vezes mais tempo para amadurecer do que um cachorro.

E por que os humanos nascem tão despreparados para a vida? Qual a razão de precisar de tanto tempo de desenvolvimento e atenção dos pais depois do nascimento? Bem, uma boa explicação é de que somos brilhantes! O tamanho do cérebro tem correlação com o tamanho do corpo, já que, em regra, maiores corpos necessitam de maiores cérebros. Para inteligência, o mais importante é a proporção do tamanho do cérebro para o tamanho do corpo e, comparado aos corpos, nossos cérebros são gigantescos, completamente fora do padrão e da curva.

Tamanho do cérebro humano

Tamanho do cérebro humano em comparação com outros animais | Foto: Hypescience

Com esse entendimento teórico, estar pelado e cruzar a todo momento é uma prioridade menor para os seres humanos. Humanos e grupos sociais que favorecem a modéstia, como o caso dos atores, tendem a preferir dedicar maior tempo e recursos para educar da melhor forma poucas crianças e evitar parceiros extras. Nessa lógica, o propósito das roupas é claro: ela cria um espaço privado para nossas partes íntimas e possibilita a dedicação para realizar outras atividades.

ROUPAS NO MUNDO DA MODA

As roupas estão entre nós há muito tempo. Estima-se que elas surgiram cerca de 100.000 anos atrás, portanto, metade do tempo de existência do homosapien na terra foi completamente nua. As vestimentas nos protegem do frio, sol, chuva e também servem como um ornamento para disfarçar ou realçar determinada parte do nosso corpo, além de ter o poder de nos encaixar em algum grupo ou crença. As roupas, em junção com a moda, podem até mesmo construir nossa identidade.

A Moda, por sua vez, surge em meados do século XV e leva este nome porque provém do latim “modus”, que significa costume. Ela surgiu exatamente com o propósito de diferenciar as vestimentas, que antes eram usadas no mesmo estilo desde seu nascimento até a morte. Além disso, as roupas são uma grande ferramenta de comunicação e expressão, capazes de fazer com que as pessoas criem estilos e movimentos que façam referências para a caracterização das peças.

Paradoxalmente, as roupas são excelentes ferramenta para atrair atenção ao seu corpo e identidade, ao mesmo tempo em que esconde e/ou cobre seu corpo com maior modéstia, se tornando menos disponível para todo e qualquer potencial parceiro. As peças essenciais que utilizamos no dia a dia, são mais do que uma caraterização de roupas, elas representam a forma como queremos nos expressar para o mundo.

Roupas eram usadas como ferramentas de comunicação e expressão

No século XV, roupas eram usadas como ferramentas de comunicação e expressão | Foto: Pinterest

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